Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

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Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Detalhes do registo

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-02/002-017/10-29-6-7-30

Tipo de título

Atribuído

Título

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Datas de produção

1941-12-19  a  1941-12-19 

Dimensão e suporte

3 f. (30 x 21 cm); papel

Extensões

1 Capilha

Autor intelectual

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor

Âmbito e conteúdo

A ocupação de Timor por tropas aliadas.

Tradição documental

Tipo técnica de registo

Assinaturas

Alfredo Pimenta

Condições de acesso

Comunicável

Condições de reprodução

A reprodução deverá ser solicitada por escrito através de requerimento dirigido ao responsável da instituição.

Aspeto físico

Cota atual

10-29-6-7-30

Idioma e escrita

Escrita

Transcrição

1941 19-12 n.º 403 Lisboa Ex.mo Senhor Presidente do Conselho: - não sei o que V.ª Ex.ª vai dizer-nos, esta tarde. Do que V.ª Ex.ª pode estar certo, porém, é de que todos nós que confiamos em V.ª Ex.ª sabemos, de antemão, que vamos ouvir palavras que traduzem lealdade para com o País, energia e dignidade perante os acontecimentos. E a opinião? V.ª Ex.ª ignora o que se diz, os comentários que se fazem — o que no fim de contas constitui o estado geral. Chego a supor que somos um povo de súbditos de S.M. Britânica. É neste momento que com a sanção da Censura se espalha pelo Pais a 2a edição do folheto do José Arruela, em cuja capa se exibem as armas portuguesas e as armas de Inglaterra! Seremos o Canadá ou a Índia, a África do Sul ou a Austrália? Toda a gente procura justificar, explicar, fundamentar a ocupação de Timor. Uns responsabilizam V.ª Ex.ª; outros invocam o nosso dever de aliados; outros dizem que até foi bom, porque ficámos defendidos! Que diferença entre mim e esses senhores! Na tarde de 4ª feira, perante os boatos insistentes de que os japoneses se tinham apoderado de Macau e Timor, fiquei sucumbido e amarfanhado. Quando vi, ao fim da tarde, o desmentido, relativo a Macau, convenci-me de que alguma coisa havia em relação a Timor. Quando, no principio da noite me disseram que sim, que era verdade a ocupação de Timor - senti-me vencido e humilhado. Conhecida a minha posição no plano internacional — V.ª Ex.ª compreende-me. Porque eu estava na persuasão de que o atentado contra a nossa soberania provinha dos japoneses, aliados da Alemanha. Estava eu preso da mais acerba inquietação, a redigir uma nota que devia ser hoje publicada nos jornais e dirigida aos meus amigos, e em que declarava abandonar a minha posição na política internacional, e afirmava que se a vitória da Inglaterra nos restituísse Timor — era essa a vitória que devíamos desejar — quando um alto funcionário da casa do Snr. General Carmona me chama ao telefone e me informa de tudo. Respirei. E agradeci a Deus ter-me poupado a uma horrível tragédia de espírito e de consciência. Que contraste entre mim e esses snrs! Na hora que passa, como sempre, V.ª Ex.ª conta comigo — suceda o que suceder. De V.ª Ex.ª m.to attº ven. e grato A.P.

Relações com registos de autoridade

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Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor