Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Ações disponíveis

Ações disponíveis ao leitor

Consultar no telemóvel

Código QR do registo

Partilhar

 

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Detalhes do registo

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-02/002-017/10-29-6-7-27

Tipo de título

Atribuído

Título

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Datas de produção

1941-11-22  a  1941-11-22 

Dimensão e suporte

6 f. (30 x 21 cm); papel

Extensões

1 Capilha

Autor intelectual

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor

Âmbito e conteúdo

A admiração por Oliveira Salazar e as sugestões do Presidente do Conselho em relação a uma conferência.

Tradição documental

Tipo técnica de registo

Assinaturas

Alfredo Pimenta

Condições de acesso

Comunicável

Condições de reprodução

A reprodução deverá ser solicitada por escrito através de requerimento dirigido ao responsável da instituição.

Aspeto físico

Cota atual

10-29-6-7-27

Idioma e escrita

Escrita

Unidades de descrição relacionadas

PT/AMAP/AALP/133-017/10-29-6-7-28

Notas de publicação

Referência bibliográficaPublicada in: SALAZAR E ALFREDO PIMENTA: Correspondência, 1931-1950 / Prof. Manuel Braga da Cruz .[Lisboa]: Verbo, 2008, pp. 157-158.

Transcrição

1941 rb domingo 23-11 n.º 389 Lisboa Sábado Ex.mo Snr Presidente do Conselho: - como quer V.ª Ex.ª que eu não o admire e respeite, à margem mesmo da sua obra de Governante que se impõe à admiração e respeito de toda a gente - se V.ª Ex.ª é tão delicado e atencioso para mim, e revela tão grande amizade intelectual por mim, como se traduz na sua carta de Ontem? Não sei o que o Futuro nos reserva, porque esse só a Deus pertence. Seja qual for ele - ninguém poderá vencer a sinceridade desinteressada com que V.ª Ex.ª se defronta quando se cruzam. Os nossos caminhos, e a delicadeza excepcional com que V.ª Ex.ª me acolhe. V.ª Ex.ª bem vê: ando neste combate unicamente pelo Bem alheio. Tudo, se se tendesse às minhas conveniências pessoais, me aconselhava o silencio e a quietude. Mas eu entendo que devo desempenhar a missão que me impus, para cooperar na obra que V.ª Ex.ª realiza, e, na pior das hipóteses, ultrapassar mesmo as suas intenções definidas, concorrendo para a cimentar e desenvolver. Não quero nem preciso que V.ª Ex.ª me seja grato: basta-me que, hoje ou amanha, V.ª Ex.ª o reconheça. Quanto propriamente à carta de V.ª Ex.ª eu não lhe mandei a minha conferência e o meu artigo para que V.ª Ex.ª se substituísse à Censura. V.ª Ex.ª compreende: não o ofendo se lhe disser que tenho na sua inteligência e compreensão uma confiança que não tenho na inteligência e compreensão dos outros. E portanto, o que pretendo é que V.ª Ex.ª vendo e compreendendo melhor, evite os estragos da insuficiência ou incompreensão. Em 15 de Dezembro de 1940, há perto de um ano, V.ª Ex.ª escreveu-me: «em casos muito raros, de delicadeza extrema, eu poderia abrir ainda para com V.ª Ex.ª alguma excepção». Nunca mais enviei a V.ª Ex.ª fosse o que fosse meu - até agora. E, no caso da minha conferencia é, por todos os motivos, de «delicadeza extrema». Estou justificado? Na verdade o que eu pretendia era publicar na íntegra o que disse, para que se me não atribuísse o que não disse, nem, em certos casos, era capaz de dizer. Mas V.ª Ex.ª é digno de que eu lhe sacrifique os meus mais legítimos melindres.E assim na minha conferência, eliminarei o que V.ª Ex.ª considera «particularmente inconveniente». Quanto aos lugares que V.ª Ex.ª diz serem «porventura susceptíveis de interpretação correcta», mas que podem ser interpretados diferentemente, mantenho-os, porque nada há a modificar no que é passível de interpretação correcta. V.ª Ex.ª quando fala ou escreve, não pode ter em conta as interpretações insensatas. Quanto ao artigo - faço a vontade a V.ª Ex.ª, e elimino o que V.ª Ex.ª deseja, Graças a Deus, as observações de V.ª Ex.ª recaem sempre sobre «inconvenientes». O que me apoquentaria seria que V.ª Ex.ª me dissesse que era falso ou mentira. Isto basta à minha consciência de português, e aos meus sentimentos de estima por V.ª Ex.ª. Naquilo do monumento aos regicidas, efectivamente destruído, de quem é a culpa? Deste sistema de se fazerem certas coisas às escondidas. Devia ter-se publicado largamente, como lição, o que se fez porque destruir esse monumento infamante não foi crime ou pecado: foi cumprir um dever moral. De V.ª Ex.ª com a mais subida consideração, m.to att.º v.or e obr.º A.P.

Relações com registos de autoridade

Relações com registos de autoridade
Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor