Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

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Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Detalhes do registo

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-02/002-017/10-29-19-6-81

Tipo de título

Atribuído

Título

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Datas de produção

1947-10-24  a  1947-10-24 

Dimensão e suporte

3 f. (30 x 21 cm); papel

Extensões

1 Capilha

Autor intelectual

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor

Âmbito e conteúdo

O caso da Academia Portuguesa da História; analise às eleições presidenciais em França.Questão da Academia Portuguesa da História - Em 12 de maio de 1943, Alfredo Pimenta apresenta à Academia Portuguesa de História um trabalho sobre a necessidade de se repor a verdadeira data da descoberta do Brasil. Aguardou resposta, mas a única correspondência que recebeu foi uma circular da Academia a participar que nenhum académico poderia apresentar comunicações no período antes da ordem do dia. Desde logo, soube que aquela circular lhe era dirigida, pois era o único académico que adotava este procedimento. Não deu importância ao conteúdo da circular, pois o que lhe interessava era receber resposta da sua proposta de trabalho da reposição da data do descobrimento do Brasil. Indagou a Academia sobre este assunto, que retorquiu não terem recebido o trabalho em apreço. A partir desse momento, Alfredo Pimenta fica indignado e declara que não voltava aos trabalhos na Academia enquanto que a doutrina da circular não fosse retirada (académicos não poderem intervir antes da ordem do dia). Em 21 de Junho de 1946, de acordo com o artº 14º dos Estatutos da Academia Portuguesa de História, aceitou a renúncia de Alfredo Pimenta de académico, com a justificação de que não frequentava as sessões nem colaborava há mais de três anos. Alfredo Pimenta nunca teve intenção de renunciar e protesta junto de várias entidades sobre esta decisão do Conselho da Academia. Recorre ao Supremo Tribunal Administrativo, mas a sua pretensão é rejeitada no acórdão de 25 de julho de 1947. Este Tribunal considera-se incompetente em razão da matéria para conhecer o fundo da questão. Alfredo recorre ao Ministério da Educação Nacional e, em 29 de agosto de 1947, a Direção Geral do Ensino superior e das Belas Artes, emite um parecer acompanhado pelo despacho ministerial favorável à pretensão de Alfredo Pimenta restituindo-lhe a cadeira.

Tradição documental

Tipo técnica de registo

Assinaturas

Alfredo Pimenta

Condições de acesso

Comunicável

Condições de reprodução

A reprodução deverá ser solicitada por escrito através de requerimento dirigido ao responsável da instituição.

Aspeto físico

Cota depósito

PT/AMAP/010/029/019/006/081

Cota atual

10-29-19-6-81

Idioma e escrita

Escrita

Unidades de descrição relacionadas

Relação genérica PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-07/0002

Notas de publicação

Referência bibliográficaPublicada in: SALAZAR E ALFREDO PIMENTA: Correspondência, 1931-1950 / Prof. Manuel Braga da Cruz .[Lisboa]: Verbo, 2008, pp. 314-315.PIMENTA, Alfredo - ”Na Academia Portuguesa da História, página solta dos seus Annais”. Lisboa: ed. Autor, 1946. PIMENTA, Alfredo - "Para a história da Academia Portuguesa da História com vinte e sete documentos”. Lisboa: ed. Autor, 1948.

Transcrição

1947 24-10 (bis) n.º 2B - 266 Casa da Madre de Deus 3º feira, à noite Ex.mo Snr. Presidente do Conselho: - há bocado, era tarde demais para eu poder escrever a V.ª Ex.ª a tempo de apanhar o correio de hoje, e eu queria mandar-lhe o texto das palavras que pronunciei na noite de 11 deste mês. Começo por agradecer muito desvanecido a V.ª Ex.ª a satisfação que diz ter sentido com o desfecho que teve o caso da Academia. V.ª Ex.ª fala nas minhas «desinteligências» com a Academia da História. É um equivoco de V.ª Ex.ª absolutamente explicável porque não pode ter tempo, nem vagar, nem disposição para conhecer estes pormenores da vida social do pais. Eu nunca tive desinteligências com esses senhores. O que houve foi uma campanha muito bem engendrada para me afastar da Academia. Preparou-a, cozinhou-a e pô-la a andar o Laranjo Coelho. Ele contava com o Caeiro da Mata. E não contava com o Júlio Dantas. Este, fosse lá pelo que fosse, colocou-se absolutamente ao meu lado, e arrastou com ele o Caeiro da Mata. De modo que o Laranjo Coelho, que tinha por auxiliares principais o Damião Peres, e o Rui de Azevedo, e que arrastara inconcebível, através do Damião Peres, o Lopes de Almeida e o Luís de Pina, viu-se abandonado do Caeiro da Mata, e hostilizado pelo Júlio Dantas. Este obrigou os snrs da Academia a comprometerem-se com ele a não preencherem a minha vaga! Por fim, com a saída do Caeiro da pasta da Educação Nacional que deixava o caso pendente, vem o Pires de Lima e com uma independência, uma nobreza e uma indiferença absolutas perante o diz-se e a opinião pública, julgou como V.ª Ex.ª sabe, e recolocou- me no lugar. É possível que Vª Ex.ª desconheça o magnifico parecer sobre que o Ministro despachou. Tomo a liberdade de lho enviar. Tudo isto foi uma grande trapalhice, ou, perdoe-me V.ª Ex.ª expressão - uma grande porcaria de que a Academia saiu irremediavelmente desprestigiada enquanto se mantiverem à sua frente os autores do feito. Quererá o Ministro ir até ai? O futuro o dirá. Porque V.ª Ex.ª compreende: não é airoso para os académicos que entraram no conluio que lhes seja rasgada na cara a pouca-vergonha..... Tudo será publicado: as Actas, o Processo do S. Tribunal Administrativo, e o desfecho. Porque é preciso que se saiba em que perde tempo a Academia Portuguesa da História!Muito estimei saber que não estivemos presentes na tal chafarica dos parlamentares; e só Deus sabe o prazer que senti quando li as palavras de V.ª Ex.ª. Mais uma vez estamos de acordo. Essa ideia da Federação europeia é um crime e uma infâmia que só servirá para escravizar mais ainda os povos militarmente fracos. V.ª Ex.ª fala no «desvairamento geral». Já não sei se é desvairamento se é desfaçatez. Cada vez estou mais convencido do grande desastre que foi a vitória das Democracias. Se elas estivessem ficado vencidas, pelo menos não assistiríamos a esta palhaçada ignóbil que está a ser a política internacional. Tive, hoje, um grande prazer: a noticia da derrota do snr Bidault e dos seus católicos progressivos. E claro que, para mim, as eleições nada significam. Mas no plano das Democracias - que bela coisa essa derrota. O snr. Gaulle (é um erro generalizado chamar-lhe De Gaulle) nada poderá contra a força comunista que é mais activa, e atrevida. E os católicos progressivos do nosso amigo Maritain apanharam uma lição que nada lhes aproveitará. A propósito: as Novidades meteram-se comigo, a defender o Maritain. E a Censura colocou-se, é claro, contra mim. É dos autos.... Perdoe V.ª Ex.ª extensão desta Carta; mas agora refrescadinho pelos ares de Santa Comba, e sem pasta nenhuma directamente a apoquentá-lo, com mais paciência me aturará. Com toda a consideração e a mais sincera estima, de V.ª Ex.ª m.to gratoA.P.

Relações com registos de autoridade

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Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor