Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Ações disponíveis

Ações disponíveis ao leitor

Consultar no telemóvel

Código QR do registo

Partilhar

 

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Detalhes do registo

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-02/002-017/10-29-19-6-52

Tipo de título

Atribuído

Título

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Datas de produção

1947-02-03  a  1947-02-03 

Dimensão e suporte

3 f. (30 x 21 cm); papel

Extensões

1 Capilha

Autor intelectual

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor

Âmbito e conteúdo

A publicação de um quinzenário cultural pelos rapazes de Coimbra; o processo na Academia Portuguesa da História.Questão da Academia Portuguesa da História - Em 12 de maio de 1943, Alfredo Pimenta apresenta à Academia Portuguesa de História um trabalho sobre a necessidade de se repor a verdadeira data da descoberta do Brasil. Aguardou resposta, mas a única correspondência que recebeu foi uma circular da Academia a participar que nenhum académico poderia apresentar comunicações no período antes da ordem do dia. Desde logo, soube que aquela circular lhe era dirigida, pois era o único académico que adotava este procedimento. Não deu importância ao conteúdo da circular, pois o que lhe interessava era receber resposta da sua proposta de trabalho da reposição da data do descobrimento do Brasil. Indagou a Academia sobre este assunto, que retorquiu não terem recebido o trabalho em apreço. A partir desse momento, Alfredo Pimenta fica indignado e declara que não voltava aos trabalhos na Academia enquanto que a doutrina da circular não fosse retirada (académicos não poderem intervir antes da ordem do dia). Em 21 de Junho de 1946, de acordo com o artº 14º dos Estatutos da Academia Portuguesa de História, aceitou a renúncia de Alfredo Pimenta de académico, com a justificação de que não frequentava as sessões nem colaborava há mais de três anos. Alfredo Pimenta nunca teve intenção de renunciar e protesta junto de várias entidades sobre esta decisão do Conselho da Academia. Recorre ao Supremo Tribunal Administrativo, mas a sua pretensão é rejeitada no acórdão de 25 de julho de 1947. Este Tribunal considera-se incompetente em razão da matéria para conhecer o fundo da questão. Alfredo recorre ao Ministério da Educação Nacional e, em 29 de agosto de 1947, a Direção Geral do Ensino superior e das Belas Artes, emite um parecer acompanhado pelo despacho ministerial favorável à pretensão de Alfredo Pimenta restituindo-lhe a cadeira.

Tradição documental

Tipo técnica de registo

Assinaturas

Alfredo Pimenta

Condições de acesso

Comunicável

Condições de reprodução

A reprodução deverá ser solicitada por escrito através de requerimento dirigido ao responsável da instituição.

Aspeto físico

Cota depósito

PT/AMAP/010/029/019/006/052

Cota atual

10-29-19-6-52

Idioma e escrita

Escrita

Unidades de descrição relacionadas

Relação genérica PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-07/0002

Notas de publicação

Referência bibliográficaPublicada in: SALAZAR E ALFREDO PIMENTA: Correspondência, 1931-1950 / Prof. Manuel Braga da Cruz .[Lisboa]: Verbo, 2008, pp. 281-82.PIMENTA, Alfredo - ”Na Academia Portuguesa da História, página solta dos seus Annais”. Lisboa: ed. Autor, 1946. PIMENTA, Alfredo - "Para a história da Academia Portuguesa da História com vinte e sete documentos”. Lisboa: ed. Autor, 1948.

Transcrição

1947 6-22B-164B2ª feira Lisboa Ex.mo Snr Presidente do Conselho: - houve engano na informação que a Censura deu a V.ª Ex.ª. Os rapazes de Coimbra não pediram autorização para a publicação de um quinzenário literário - mas cultural. É evidente que uma publicação cultural, para V.ª Ex.ª e para mim, abrange trabalhos de natureza política. Os rapazes, portanto, nem sequer pretenderam mascarar as suas intenções. Mas isso está já, com certeza resolvido, e púnhamos ponto final.Agora, outra coisa, só para V.ª Exª. ficar a fazer uma ideia da atmosfera moral de certos capítulos da nossa vida social. Como V.ª Ex.ª sabe, a Academia Portuguesa da História tomou para comigo uma atitude indigna. Inventou, primeiro, uma renúncia que nunca formulei. Depois, demitiu-me, comunicando-me o facto, em oficio. Apelei para o Ministro da Educação Nacional; contei o caso em Mensagem que enviei à Assembleia Nacional; recorri para o Supremo Tribunal Administrativo. O Ministro não deferiu nem indeferiu o meu requerimento. O Presidente da Assembleia Nacional mandou ler a minha Mensagem - e o João do Amaral comentou-a. O meu recurso ao Supremo Tribunal Administrativo corre o seu fadário legal. Por força dele, a Academia mandou ao Tribunal cópia das Actas. E aqui é que está o triste sintoma da atmosfera que se respira. Entre as Actas há uma falsa, palpavelmente falsa. Não foi a Academia quem me demitiu, mas o Conselho. O oficio que enviaram é mentiroso. É tudo um tecido de falsidades, de remendos feitos ad hoc que nos deixa mergulhados não já em indignação, mas em profunda tristeza. Quando uma instituição desta natureza desce às baixezas e aos processos que estas Actas denunciam, só há uma solução dissolvê-la, e reorganizá-lá. V.ª Ex.ª não faz ideia do que aquilo é. Nem eu supunha tanto. É uma vergonha. É a desonra da Cultura portuguesa. E V.ª Ex.ª o verá um dia, quando tudo vier a público. Na Academia, há nomes limpos que se afastaram das torpezas praticadas: os dois ministros Caeiro da Matta e Marcelo Caetano, o Conde de Tovar; Mário Brandão, Alfredo Botelho de Souza; Mendes Correia; Martins de Carvalho, Júlio Dantas, Paulo Merea; Caetano Beirão; Teixeira Botelho. O Júlio Dantas, então, tomou uma atitude enérgica, tão enérgica que os malfeitores foram obrigados a não preencher a minha vaga! O caso, como pessoal, pode não interessar a V.ª Ex.ª e certamente, lhe não merece atenção. Mas como sintoma, deve V.ª Ex.ª reparar nele, porque junto a outros, dá-lhe uma visão de conjunto do nosso tempo, ou do nosso estado. De V.ª Ex.ª com toda a consideração, mato inútil amigo e adm.dor A.P.

Relações com registos de autoridade

Relações com registos de autoridade
Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor