Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Ações disponíveis

Ações disponíveis ao leitor

Consultar no telemóvel

Código QR do registo

Partilhar

 

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Detalhes do registo

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-02/002-017/10-29-19-6-47

Tipo de título

Atribuído

Título

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Datas de produção

1947-01-09  a  1947-01-09 

Dimensão e suporte

6 f. (30 x 21 cm); papel

Extensões

1 Capilha

Autor intelectual

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor

Âmbito e conteúdo

A homenagem do embaixador português no Brasil a Luís de Almeida Braga.

Tradição documental

Tipo técnica de registo

Assinaturas

Alfredo Pimenta

Condições de acesso

Comunicável

Condições de reprodução

A reprodução deverá ser solicitada por escrito através de requerimento dirigido ao responsável da instituição.

Aspeto físico

Cota depósito

PT/AMAP/010/029/019/006/047

Cota atual

10-29-19-6-47

Idioma e escrita

Escrita

Notas de publicação

Referência bibliográficaPublicada in: SALAZAR E ALFREDO PIMENTA: Correspondência, 1931-1950 / Prof. Manuel Braga da Cruz .[Lisboa]: Verbo, 2008, pp. 276-277.

Transcrição

1947 10-1 rb 6ª feira 10-1-47 n. B. 151 Lisboa Ex.mo Snr Presidente do Conselho: o que o Luís de Almeida Braga foi fazer ao Brasil, o que ele lá podia ter feito ou seria capaz de fazer não pode interessar a V.ª Ex.ª nem a mim. E a alusão que V.ª Ex.ª (unhou? encontrou?) na minha última carta tem que ser colocada no seu respectivo quadro. O que deve interessar a V.ª Ex.ª é o que lá se passou - estampado na Voz de 7 do corrente em extenso telegrama que deve ter custado caro ao Estado português, e se compôs para exaltar Luís de Almeida Braga. Este Luís de Almeida Braga é um homem muito inteligente, muito arguto, muito vivo, muito brilhante em suas manifestações oratórias e literárias. Mas moralmente o que há de pior. É o tipo completo do cínico. E essa qualidade (virtude para uns, defeito para outros) é hereditária. Como conheci e reconheci isto é história que levaria tempo a contar, e enfadaria V.ª Ex.ª do grupo dos seus inimigos é, talvez, o mais rancoroso; mas disfarça esse rancor sob a máscara do riso.Quando um Ministro do Interior de V.ª Ex.ª me prendeu, sob o pretexto estúpido de um acto que não pratiquei - o Luís de Almeida Braga supôs que eu, por agravo, me passaria para o lado dele, correu à Torre do Tombo, a cumprimentar-me e a protestar. Recebi-lhe oscumprimentos, mas observei-lhe que se V.ª Ex.ª me afastara de si, isso não me levava a modificar os juízos sobre a sua obra e a sua pessoa. Deitei assim água fria sobre o seu entusiasmo de... protestante. Foi nessa ocasião que me revelou a autoria e o significado do artigo Miguel de Vasconcelos publicado numa Revista portuguesa, e reproduzido e comentado na imprensa Brasileira. Do mais que lhe disse, a propósito disso, não vale a pena falar, porque emanava dele, e envolve terceiras pessoas. Ora eu pergunto, e não atino com a resposta: como é que o Embaixador de Portugal assiste e colabora nas homenagens prestadas no Brasil ao homem que pública e notoriamente em Portugal e no Brasil, ressuscitou em V.ª Ex.ª a figura sinistra de Miguel de Vasconcelos?Como é que os serviços do Estado Português acolhem, exaltam e servem o homem que é pública e notoriamente inimigo de V.ª Ex.ª, da sua obra, da sua pessoa e das suas intenções? Alguma coisa está errada em tudo isto. E porque me assombrou, não pela idiotice do estilo, mas pelo descaramento dos factos, a narração da Voz foi que fiz a referência que despertou a curiosidade de V.ª Ex.ª Embaixador da cultura e do portuguesismo da nossa Pátria - o inimigo intransigente do Presidente do Conselho de Portugal? Não! Esta consagração é ilógica, e se V.ª Ex.ª a aceita, por si e pelos seus representantes diplomáticos, então o louco sou eu. Tenho informações particulares e preciosas da nossa situação no Brasil. São todas horríveis. Mas compreendo que V.ª Ex.ª faça de conta que a ignora, e alimente um mito, qual seja esse da fraternidade ou amizade entre os dois povos. Mito escandaloso, porque a toda a hora está a denunciar a sua vacuidade, e a sua mentira, e só serve para beneficio pessoal dos que cooperam nele — indo ao Brasil preparar jantares, ou vindo a Portugal, receber homenagens. Tenho as minhas razões para crer que o próprio Embaixador deve ter dado a V.ª Ex.ª informações que confirmam a minha posição na matéria. Seja como for, o que eu não compreenderia de forma alguma era que V.ª Ex.ª colocasse no mesmo prato da balança dos seus conceitos, da sua consideração e da sua estima, os que o admiram e o prezam, os que pretendem servi-lo e animá-lo, e os que o diminuem, difamam, injuriam, e procuram abatê-lo. Se me fosse possível deixar-me arrastar pelo mito português e brasileiro, e o cair na tentação e ir ao Brasil, dispensaria a presença do snr. Embaixador, uma vez que S.ª Ex.ª não hesitou em prestar as homenagens da sua aclamação e dos seus louvores ao homem que, embora cautelosamente, sob pseudónimo, atribuiu ao presidente do Conselho de Portugal, as qualidades, o carácter e a obra maléfica de Miguel de Vasconcelos que a populaça ultrajou, depois de a nobreza o ter executado, deitando-o, morto, à rua..... Há limites para tudo — até para a fraqueza, a brandura, a indiferença. E se os não há, então, porque não podemos todos ser virtuosos e dignos, sejamos todos malandros e cínico. E é convencido de que para V.ª Ex.ª há diferenças, no carácter dos homens, como para mim, que me despeço, pedindo desculpa do tempo que lhe tirei, esperando que V.ª Ex.ª terá substituído adequadamente o muito mais que queria dizer e deixei em silêncio. De V.ª Ex.ª com toda a consideração, m.to att.º, v.or e obrg.ºA.P.

Relações com registos de autoridade

Relações com registos de autoridade
Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor