Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

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Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Detalhes do registo

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-02/002-017/10-29-19-5-9

Tipo de título

Atribuído

Título

Carta de Alfredo Pimenta para Oliveira Salazar

Datas de produção

1948-05-18  a  1948-05-18 

Dimensão e suporte

6 f. (30 x 21 cm); papel

Extensões

1 Capilha

Autor intelectual

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor

Âmbito e conteúdo

A renovação do conflito com a Academia Portuguesa de História.

Tradição documental

Tipo técnica de registo

Assinaturas

Alfredo Pimenta

Condições de acesso

Comunicável

Condições de reprodução

A reprodução deverá ser solicitada por escrito através de requerimento dirigido ao responsável da instituição.

Aspeto físico

Cota depósito

PT/AMAP/010/029/019/005/009

Cota atual

10-29-19-5-9

Idioma e escrita

Escrita

Notas de publicação

Referência bibliográficaPublicada in: SALAZAR E ALFREDO PIMENTA: Correspondência, 1931-1950 / Prof. Manuel Braga da Cruz .[Lisboa]: Verbo, 2008, pp. 338-340.

Transcrição

1948 18-5 rb 2B - 330 Lisboa Ex.mo Snr. Presidente do Conselho: - apesar da distância que V.ª Ex.ª abriu entre nós dois, não me é fácil esquecer que durante perto de vinte anos vivemos na vizinhança um do outro... Porque ainda lembrado disso não posso deixar de escrever esta carta a V.ª Ex.ª - para lhe evitar surpresas que o aborreçam. Até agora, os inimigos tem-me vindo do lado de lá: do campo dos republicanos, dos comunistas, da Maçonaria, do Catolicismo progressivo, das Democracias vitoriosas, etc.Pela primeira vez me aparecem vindos do campo dos amigos de V.ª Ex.ª, daqueles a quem V.ª Ex.ª tem dado nome, lugares de prestígio, força riqueza. Aos primeiros tenho-os sacudido, melhor ou pior; receio que V.ª EX.ª queira cobrir os de agora. Que se passa? Isto apenas. Há dois anos, fui demitido da Academia Portuguesa da História, nas condições que seriam do conhecimento de V.ª Ex.ª, se V.ª Ex.ª tivesse lido o meu livro Para a história Academia Portuguesa da História.O Ministro da Educação Nacional, o ano passado, reconhecendo a ignomínia dessa demissão, inutilizou-a, e reabriu-me as portas da Academia. O Grupo de académicos autor da infâmia, desautorizado pela decisão do Ministro, castiguei-o eu, como era meu dever, nas páginas daquele meu livro. O Conselho académico que preparara e realizara a minha demissão terminou o seu mandato, e foi substituído por outro. É seu 2º vice-presidente, aquele Marcelo Caetano a quem V.ª Ex.ª tem dado asas e enriquecido - a despeito de ser, intelectualmente, um parlapatão, moralmente um garoto, e socialmente ou politicamente um arrivista. Como se isto não fosse arquiconhecido de quem se não se deixa iludir, nem quer Iludir-se, V.ª Ex.ª fê-lo ainda dirigente da União Nacional. Numa palavra: pelas relações que tem com V.ª Ex.ª e pelas situações que ocupa tem todas as condições de fazer o mal que lhe apetecer, sem que as vitimas possam reagir. A isto se chega em Portugal... É ele, como disse, 2º vice-presidente do Conselho Académico. O 1º vice-presidente, em exercício, é o Queiroz Veloso. Pois bem. O Ministro da Educação Nacional recebeu, há dias, um oficio do Conselho académico, assinado pelo Marcelo Caetano, 2º vice-presidente, não em exercício, e não ser para esse efeito, em que se queixa de que publiquei um livro a desprestigiar a Academia, pedindo providências ao Ministro! O meu livro liquida uma questão anterior ao actual Conselho académico; O meu livro é a resposta ao procedimento indigno de um grupo de académicos contra mim, de que o Marcelo Caetano não fazia parte, e que, portanto, o meu livro não atinge; O meu livro castiga uma atitude que o Presidente da Academia (Caeiro da Mata, então Ministro da Educação Nacional) se recusou a sancionar, e que o Ministro actual expressamente condenou. Pergunto: a que propósito é que o Marcelo Caetano, 2º vice-presidente, substituiu o 1º vice-presidente em exercício, para assinar um oficio enviado ao Ministro da Educação Nacional, em que se pretende ressuscitar um conflito morto? Com que fins é que Marcelo Caetano, da confiança de V.ª Ex.ª, presidente da União Nacional, antigo Ministro das Colónias, do Conselho de Administração do Banco Ultramarino, etc. etc., com que fins é que esse cavalheiro se coloca à frente dos meus inimigos, e investe contra mim que nem tenho a amizade de V.ª Ex.ª a defender-me, nem sou da União Nacional, nem fui Ministro das Colónias, nem ando na intimidade de grandes Bancos e grandes Companhias, e tenho apenas os recursos da minha inteligência e o vigor da minha pena? Supõe-se ele invulnerável - pelas circunstâncias da sua vida? Já estou bastantemente velho para recear seja o que for - quando seja atacado....Insisto: quem devia assinar o oficio era o 1.º vice-presidente em exercício, Queiroz Veloso; mas este afastou-se para que o assinasse o Marcelo Caetano 2º vice-presidente, não em exercício. O propósito da provocação, é manifesto.Acresce que o Conselho académico passou a não me enviar os avisos das reuniões académicas. Quer dizer: renova-se o conflito, e agora soprado por Marcelo Caetano. Em vez de Laranjo Coelho, é o braço direito de V.ª Ex.ª, o seu Lugar-Tenente quem chefia a cabala. Cumpram-se os fados, já que nasci para esta vida de perpétuo desassossego. Quis comunicar a V.ª Ex.ª o que se passa, - para que V.ª Ex.ª amanha, não possa alegar que eu é que sou o culpado. Com toda a consideração, mto attº v.or obrg.º A.P.

Relações com registos de autoridade

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Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadePimenta, Alfredo Augusto Lopes. 1882-1950, historiador, escritor e poeta AAP/AP Autor