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Carta de Oliveira Salazar para Alfredo Pimenta

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Carta de Oliveira Salazar para Alfredo Pimenta

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Carta de Oliveira Salazar para Alfredo Pimenta

Detalhes do registo

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMAP/FAM/AALP/01-02-02/001-5747/10-29-19-4-24

Tipo de título

Atribuído

Título

Carta de Oliveira Salazar para Alfredo Pimenta

Datas de produção

1941-05-25  a  1941-05-25 

Dimensão e suporte

7 f. (23 x 18 cm); papel

Extensões

1 Capilha

Âmbito e conteúdo

Análise ao discurso do presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Roosevelt.

Tradição documental

Tipo técnica de registo

Marcas

Timbre da Presidência do Conselho

Assinaturas

Oliveira Salazar

Condições de acesso

Comunicável.

Condições de reprodução

A reprodução deverá ser solicitada por escrito através de requerimento dirigido ao responsável da instituição.

Aspeto físico

Cota atual

10-29-19-4-24

Idioma e escrita

Escrita

Notas de publicação

Referência bibliográficaPublicada in: SALAZAR E ALFREDO PIMENTA: Correspondência, 1931-1950 / Prof. Manuel Braga da Cruz .[Lisboa]: Verbo, 2008, pp. 142-143.

Transcrição

Ex.mo Sr. Dr. Alfredo Pimenta Acabo de ler a carta de V.a Ex.a e respondo imediatamente pois não desejo que o meu silêncio seja responsável pelo de V.a Ex.a no caso de querer exteriorizar os seus sentimentos. Chamo apenas a atenção de V.a Ex.a para os seguintes pontos: a) O discurso de R. não pode ser considerado como resposta à minha nota oficiosa. Antes disso teria de ser resposta ao seu Secretário de Estado senão a ele mesmo, pois a resposta que nos foi dada e a que me referi só o foi depois de ouvido o próprio Presidente Roosevelt. b) Não sei que texto V.a Ex.a leu do discurso: o de umas agências é mais completo do que o de outras e nenhum dos publicados em Portugal que eu saiba corresponde ao próprio texto radiodifundido pelo State Department. O texto publicado ontem pelo D. de Lisboa era o mais extenso mas não completo nem fiel. c) O texto é equívoco e direi que intencionalmente equívoco. As teses que o Presidente defende devem ser criticadas, mesmo que se nos não apliquem ou não haja intenção de no-las aplicar. Entre estas teses cito: a definição feita ex cathedra do hemisfério ocidental sobre premissas de ordem militar que podem fazer mudar a linha de demarcação até aos Açores, até Portugal, até à França; o direito que o Presidentse arroga, em nome de todas as Repúblicas Americanas e do Domínio do Canadá de dizer se, quando e onde os seus interesses estão ameaçados; a contradição de querer defender os povos agredidos ou combater os agressores, desconhecendo limites impostos pelos direitos soberanos de outros povos; a afirmação de inspiração e uso norte-americano em nome da liberdade e paz do hemisfério ocidental; a liberdade dos mares e o patrulhamento em escala tal que não possam andar neles senão os barcos que navegam em conformidade com os seus desejos e interesses, etc., etc., etc. d) Sob o aspecto que nos interessa a lacuna grave é não se fazer referência aos direitos alheios ou salvaguarda da soberania de outros Estados, mas não diz o Presidente claramente ou subentendidamente que os desconhecerá, salvo em caso guerra, o que vai por si. e) O discurso é de política interna sobretudo e nas democracias é assim... f) Não me iludo porém sobre o perigo virtual, e é preciso ter presente que pouco valor pode ter no caso a atitude inglesa, pois a Inglaterra, embora se bata, e com a sua bravura defenda a América, depende dela e a cada momento se vê obrigada a subalternizar-se. Não me iludo mas tenho de jogar todos os trunfos, quero dizer, tenho de apoiar-me nos vários interesses em jogo. g) Evidentemente não estou ocioso mas não posso falar em qualquer momento ou em quaisquer circunstâncias. Tenho de documentar-me e provocar esclarecimentos, onde possam darmos ou se neguem a darmos, que também é esclarecer. h) Não vejo porém razão para que os jornalistas não escrevam ou dissecando as peregrinas doutrinas do Presidente Roosevelt, ou estranhando os seus silêncios, ou pondo a nu o que talvez seja a pura verdade - o medo fingido ou agravado da Alemanha a cimentar a hegemonia Americana (aliás dentro da pura teoria alemã). O que eu quereria é que se evitassem quixotismos ridículos ou ares trágicos e nos ficássemos dentro de uma linha de dignidade e firmeza mas de muita prudência. É possível que ali esteja o maior inimigo; não afirmo, suspeito. I) Evidentemente também falarei quando tiver alguma coisa que dizer com segurança e alcance. J) Até lá continuaremos a armar-nos e a reforçar a defesa das ilhas. Como esta já vai longa e o tempo é escasso, V.a Ex.a desculpará que não faça nenhuma observação à restante matéria da sua carta. Com toda a consideração De v.a Ex.a M.to At.o Ven.or e Gr.oOliveira Salazar